A UFSC e a Ditadura Militar:
fatos e personagens

A UFSC e a Ditadura Militar: fatos e personagens

Esta exposição apresenta com base no Relatório da Comissão Memória e Verdade da UFSC, entre os anos de 1961 a 1981, alguns dos acontecimentos, lugares e personagens que protagonizaram momentos de resistência em confronto direto com o Estado e a violência causada por ele no período da ditadura militar em Florianópolis.

Os lugares com maior ocorrência das manifestações e repressões foram a Universidade Federal de Santa Catarina e o centro da cidade, ambos locais com número expressivo de pessoas e diversidade social, econômica e cultural. A narrativa construída nesta exposição visa explorar como estudantes, professores e técnicos-administrativos da UFSC, participaram ativamente de grupos que lutaram por seus direitos e por um espaço democrático, bem como expõe como esses atores sociais sofreram ao longo do período ditatorial por não aceitarem as condições impostas pelo período militar.

Esta exposição faz parte do projeto de extensão “Exposição virtual sobre Memória e Direitos Humanos”, da Coordenadoria Especial de Museologia, vinculado ao Instituto Memória e Direitos Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina (IMDH/UFSC), que visa disponibilizar parte das pesquisas iconográficas, bibliográficas e documentais realizadas pela Comissão Memória e Verdade da UFSC (CMV/UFSC).

Esta exposição apresenta com base no Relatório da Comissão Memória e Verdade da UFSC, entre os anos de 1961 a 1981, alguns dos acontecimentos, lugares e personagens que protagonizaram momentos de resistência em confronto direto com o Estado e a violência causada por ele no período da ditadura militar em Florianópolis.

Os lugares com maior ocorrência das manifestações e repressões foram a Universidade Federal de Santa Catarina e o centro da cidade, ambos locais com número expressivo de pessoas e diversidade social, econômica e cultural. A narrativa construída nesta exposição visa explorar como estudantes, professores e técnicos-administrativos da UFSC, participaram ativamente de grupos que lutaram por seus direitos e por um espaço democrático, bem como expõe como esses atores sociais sofreram ao longo do período ditatorial por não aceitarem as condições impostas pelo período militar.

Esta exposição faz parte do projeto de extensão “Exposição virtual sobre Memória e Direitos Humanos”, da Coordenadoria Especial de Museologia, vinculado ao Instituto Memória e Direitos Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina (IMDH/UFSC), que visa disponibilizar parte das pesquisas iconográficas, bibliográficas e documentais realizadas pela Comissão Memória e Verdade da UFSC (CMV/UFSC).

Mapa de acontecimentos

1961

1962

1964

1965

1968

1975

1979

1980

1981

Instruções

  • Utilize o botão de rolagem do seu mouse ou a tecla “+” do teclado para aproximar dos locais.
 
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Mapa de acontecimentos

(Selecione os ícones no mapa e explore)

Personagens da História

Gil Bráz de Lima
Gil Bráz de Lima

Nascido em 29 de março de 1947, em Itajaí, Santa Catarina, Gil era filho de José Adil de Lima e Teodora de Lima. Seu pai, José Adil, era membro do Partido Comunista Brasileiro, no qual ingressou em 1946, foi presidente do Sindicato dos Estivadores de Itajaí, participou do Movimento Negro de Itajaí.

Gil Bráz de Lima, ex-estudante de Engenharia Mecânica foi preso em 11 de fevereiro de 1969 dentro da Universidade Federal de Santa Catarina, enquanto distribuía panfletos para turmas de calouros na Faculdade de Direito. Foi torturado e perseguido nos anos seguintes e tornou-se um dos casos analisados com mais atenção, pois recebeu uma pena muito maior que a de seus colegas. Passou os anos seguintes sofrendo sucessivas perdas de emprego, mudando-se de cidade, passando por novas prisões e até um sequestro na saída para o trabalho, no qual ficou desaparecido por mais de seis semanas.

Depoimento de Maria Bernadete de Lima, Viúva de Gil:
(...) aí no começo de 69 ele foi fazer uma panfletagem na Faculdade de Direito, ele e o Roberto Cascaes, que era filho de um juiz aqui de Florianópolis, muito conhecido por sinal. Daí ele e Roberto Cascaes foram fazer essa panfletagem, pedindo algumas melhorias na Faculdade, só que como estava em cima do AI-5 eles foram presos. Teve muitos que estavam juntos também mas fugiram, e só eles dois foram presos. Aí ficaram aqui na delegacia de Biguaçu, uns 15 ou 20 dias sofrendo tortura. (...)

Gil Bráz de Lima foi um dos poucos, ou o único, estudante negro a fazer parte do movimento estudantil a partir da metade da década de 1960.

Depoimento de Maria:

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Derlei Catarina de Luca
Derlei Catarina de Luca

Nasceu em 17 de setembro de 1946, no município de Içara, interior de Santa Catarina, e
faleceu em 18 de novembro de 2017. Ingressou no curso de pedagogia da UFSC, foi militante pela Juventude Universitária Católica e posteriormente pela Ação Popular. A Lei n° 4.464 de 09 de novembro de 1964 limitava o movimento estudantil fazendo mudanças nas entidades de representação. É no ano de 1966 que Derlei Catarina juntamente com colegas reorganizam o movimento estudantil e atuam no Centro Acadêmico da Faculdade de Filosofia.

Foi presa em outubro de 1966, após o 30° Congresso da UNE, onde havia militares infiltrados e 723 estudantes foram fichados, assim as fichas foram repassadas, espalhando as informações do movimento estudantil. Meses após mudar-se para São Paulo, foi presa novamente, e foi torturada por dois meses, sua prisão só consta oficialmente a partir do momento em que foi transferida para o DOPS. Foi considerada foragida, com medo precisou deixar seu filho de 3 meses com uma conhecida. Passou por diferentes lugares durante este período: Rio de Janeiro, Florianópolis (entre 1972 e 1973), Chile e Panamá, por fim, em novembro de 1973 vai para Cuba onde consegue restabelecer-se e reencontrar seu filho, e com a Lei da Anistia de 1979 consegue retornar ao Brasil.

Marcos Cardoso Filho
Marcos Cardozo Filho

Nasceu no município de Tubarão - Santa Catarina em 12 de maio de 1950, faleceu em 23 de
dezembro de 1983, eletrocutado em um acidente de barco na Lagoa da Conceição,
Florianópolis. Ainda como estudante secundarista ingressou na militância, e aos 18 anos entrou para o PCB (Partido Comunista Brasileiro). Em 1969 entrou para o curso de Engenharia Elétrica da UFSC, sempre participou ativamente do movimento estudantil. Na primeira metade da década de 1970 foi professor do Colégio de Aplicação/UFSC e do atual IFSC. No ano de 1975 foi contratado para lecionar no curso de Engenharia Elétrica da UFSC.

José do Patrocínio Gallotti
José do Patrocínio Gallotti

Nasceu na cidade de Nova Trento (SC) em 14 de abril de 1908 e faleceu na cidade de Florianópolis em 15 de junho de 1985. Foi Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, atuou como Juiz de Direito da 2ª Vara da Comarca de Florianópolis, Juiz do Tribunal Eleitoral de Santa Catarina e Desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Ingressou no quadro docente da recém-criada UFSC, em 20 de outubro de 1961.

Em nove de abril de 1964, o Comando Supremo Revolucionário edita o Ato Institucional número 1 (AI-1), marco inicial da institucionalização do golpe militar. O Relatório Geral da Comissão de Inquérito afirma que muitas das ocorrências se deram por parte de quem deveria zelar pela disciplina na Universidade, e que cabia às Direções garantir a não ocorrência de atividades subversivas.

À medida em que as informações foram recebidas pela Comissão de Inquérito, os processos foram organizados em ordem numérica. O Processo Nº 1/64, primeiro da lista, leva o nome de “Professor Patrocínio Gallotti”. No Relatório Geral da Comissão de Inquérito da Universidade de Santa Catarina, o único processo cujo nome era o do próprio investigado foi o do Desembargador José do Patrocínio Gallotti, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Santa Catarina.

Depoimento de Armen Mamigonian sobre Gallotti:

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João Soccas
João Soccas

Ingressou na UFSC em 1967 como estudante de engenharia, participando de forma ativa no movimento estudantil. Após publicação do jornal "Universitários a Procura de Universidade", João foi preso, e conforme relato, havia policiais que entravam na ufsc como estudantes, porém sem passar por vestibular, e foi um destes policiais que o prendeu.

Em 1978 passa a exercer o cargo de auxiliar de ensino na UFSC, sofrendo com acúmulo de funções. João foi demitido após um ofício com informações distorcidas chegar até Caspar Stemmer, reitor da Universidade na época.

Rogério Queiroz
Rogério Duarte Queiroz

Nasceu em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, em 1941, foi ativo em movimentos estudantis, sendo presidente da União Catarinense de Estudantes Secundaristas. Ingressou no curso de Direito da UFSC no ano de 1960, e assumiu a presidência do Centro Acadêmico do curso em 1962, foi também presidente da UCE (União Catarinense de Estudantes) no ano de 1963.

Durante o período na UCE, com o objetivo de implementar o Método Paulo Freire para alfabetização de adultos, conseguiu financiamento para o projeto “Kombi da Libertação do Povo”,uma kombi que passava em bairros de Florianópolis levando o método Paulo Freire de alfabetização. Com o golpe no ano de 1964 a kombi, que ficava na sede da UCE foi apreendida e aqueles que se encontravam no local foram presos. Rogério foi preso em dois momentos: em abril e em junho de 1964, e recebeu anistia apenas no ano de 2009. Ele faleceu aos 75 anos em 2016.

Depoimento de Rogério Queiroz:

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Heitor Bittencourt Filho

Heitor Bittencourt Filho nasceu em Florianópolis em 28 de novembro de 1948. Ingressou na UFSC em 1965, e após trocar de curso entrou para o DCE em 1967 como presidente da entidade. Na época a reitoria não dava atenção às questões levantadas pelo movimento estudantil, e Heitor tornou-se uma grande liderança, e passou por diferentes momentos de perseguição, mesmo após se afastar do movimento estudantil. Em 1968 foi preso em uma manifestação que acontecia em razão da morte de Edson Luís, estudante secundarista. Heitor afastou-se do movimento estudantil após o Ato Institucional n° 5.

Armen Mamigonian
Armen Mamigonian

Nasceu na capital paulista em 1935, oriundo de família armênia. Graduou-se em Geografia e História em 1956, e se especializou em Geografia Humana em 1959, ambos os cursos na Universidade de São Paulo. Fez doutorado em Geografia Industrial em 1962, na Universidade de Estrasburgo na França, e pós-doutorado em 1984, na Université de Paris (Panthéon Sorbonne).

Foi um dos primeiros professores do curso de Geografia da Faculdade Catarinense de Filosofia, aqui chegando em agosto de 1958, compondo o quadro docente dos primeiros tempos da UFSC. No final da década de 1960, transferiu-se para São Paulo para trabalhar na UNESP, na cidade de Presidente Prudente. Lá atuou como professor e pesquisador até o final da década de 1970, sem perder no entanto o vínculo institucional com a UFSC, para a qual retornou no início de 1980 e onde aposentou-se, em 4 de fevereiro de 1987, por tempo de serviço.

Valmir Martins

Nasceu em 22 de outubro de 1943, em Florianópolis, e faleceu em 30 de novembro de 2012. Foi estudante do curso de História da UFSC, desde o seu ingresso na instituição foi ativo no movimento estudantil e chegou a ser preso durante o 30° Congresso da UNE.
Em 1976 passou em 1° lugar em um concurso para professor da UFSC, porém não pode assumir pois era marcado como comunista. No mesmo ano ingressou na instituição como auxiliar de ensino, e durante sua trajetória como professor universitário foi ativo na militância, e também ajudou estudantes na novembrada,, onde participou das mobilizações para que os estudantes presos fossem libertos.

Henrique Stodieck
Henrique Stodieck

Nasceu em Florianópolis em 27 de agosto de 1912 e faleceu na mesma cidade em 28 de agosto de 1973. Em 1931, mudou-se para Minas Gerais, onde estudou por dois anos na Faculdade de Engenharia de Itajubá. Desistiu do curso e rumou à Cidade de São Paulo, onde iniciou os estudos na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Formou-se em Direito em 1937, e retornou a Florianópolis onde passou a lecionar Sociologia no Instituto Estadual de Educação em 1938, no qual também foi Diretor

Em 1940 Henrique Stodieck foi aprovado em concurso público para ocupar a Cátedra de Direito do Trabalho na antiga Faculdade de Direito de Santa Catarina e, em 1962, foi eleito Diretor pela Congregação desta Faculdade, ficando no cargo até 1968.

Além de Professor, Stodieck foi Juiz do Trabalho, tendo sido Presidente da antiga Junta de Conciliação e Julgamento da Justiça do Trabalho em Florianópolis.

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Personagens da História

Gil Bráz de Lima
Gil Bráz de Lima

Nascido em 29 de março de 1947, em Itajaí, Santa Catarina, Gil era filho de José Adil de Lima e Teodora de Lima. Seu pai, José Adil, era membro do Partido Comunista Brasileiro, no qual ingressou em 1946, foi presidente do Sindicato dos Estivadores de Itajaí, participou do Movimento Negro de Itajaí.

Gil Bráz de Lima, ex-estudante de Engenharia Mecânica foi preso em 11 de fevereiro de 1969 dentro da Universidade Federal de Santa Catarina, enquanto distribuía panfletos para turmas de calouros na Faculdade de Direito. Foi torturado e perseguido nos anos seguintes e tornou-se um dos casos analisados com mais atenção, pois recebeu uma pena muito maior que a de seus colegas. Passou os anos seguintes sofrendo sucessivas perdas de emprego, mudando-se de cidade, passando por novas prisões e até um sequestro na saída para o trabalho, no qual ficou desaparecido por mais de seis semanas.

Depoimento de Maria Bernadete de Lima, Viúva de Gil:
(...) aí no começo de 69 ele foi fazer uma panfletagem na Faculdade de Direito, ele e o Roberto Cascaes, que era filho de um juiz aqui de Florianópolis, muito conhecido por sinal. Daí ele e Roberto Cascaes foram fazer essa panfletagem, pedindo algumas melhorias na Faculdade, só que como estava em cima do AI-5 eles foram presos. Teve muitos que estavam juntos também mas fugiram, e só eles dois foram presos. Aí ficaram aqui na delegacia de Biguaçu, uns 15 ou 20 dias sofrendo tortura. (...)

Gil Bráz de Lima foi um dos poucos, ou o único, estudante negro a fazer parte do movimento estudantil a partir da metade da década de 1960.

Depoimento de Maria:

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Derlei Catarina de Luca
Derlei Catarina de Luca

Nasceu em 17 de setembro de 1946, no município de Içara, interior de Santa Catarina, e
faleceu em 18 de novembro de 2017. Ingressou no curso de pedagogia da UFSC, foi militante pela Juventude Universitária Católica e posteriormente pela Ação Popular. A Lei n° 4.464 de 09 de novembro de 1964 limitava o movimento estudantil fazendo mudanças nas entidades de representação. É no ano de 1966 que Derlei Catarina juntamente com colegas reorganizam o movimento estudantil e atuam no Centro Acadêmico da Faculdade de Filosofia.

Foi presa em outubro de 1966, após o 30° Congresso da UNE, onde havia militares infiltrados e 723 estudantes foram fichados, assim as fichas foram repassadas, espalhando as informações do movimento estudantil. Meses após mudar-se para São Paulo, foi presa novamente, e foi torturada por dois meses, sua prisão só consta oficialmente a partir do momento em que foi transferida para o DOPS. Foi considerada foragida, com medo precisou deixar seu filho de 3 meses com uma conhecida. Passou por diferentes lugares durante este período: Rio de Janeiro, Florianópolis (entre 1972 e 1973), Chile e Panamá, por fim, em novembro de 1973 vai para Cuba onde consegue restabelecer-se e reencontrar seu filho, e com a Lei da Anistia de 1979 consegue retornar ao Brasil.

Marcos Cardoso Filho
Marcos Cardozo Filho

Nasceu no município de Tubarão - Santa Catarina em 12 de maio de 1950, faleceu em 23 de
dezembro de 1983, eletrocutado em um acidente de barco na Lagoa da Conceição,
Florianópolis. Ainda como estudante secundarista ingressou na militância, e aos 18 anos entrou para o PCB (Partido Comunista Brasileiro). Em 1969 entrou para o curso de Engenharia Elétrica da UFSC, sempre participou ativamente do movimento estudantil. Na primeira metade da década de 1970 foi professor do Colégio de Aplicação/UFSC e do atual IFSC. No ano de 1975 foi contratado para lecionar no curso de Engenharia Elétrica da UFSC.

José do Patrocínio Gallotti
José do Patrocínio Gallotti

Nasceu na cidade de Nova Trento (SC) em 14 de abril de 1908 e faleceu na cidade de Florianópolis em 15 de junho de 1985. Foi Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, atuou como Juiz de Direito da 2ª Vara da Comarca de Florianópolis, Juiz do Tribunal Eleitoral de Santa Catarina e Desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Ingressou no quadro docente da recém-criada UFSC, em 20 de outubro de 1961.

Em nove de abril de 1964, o Comando Supremo Revolucionário edita o Ato Institucional número 1 (AI-1), marco inicial da institucionalização do golpe militar. O Relatório Geral da Comissão de Inquérito afirma que muitas das ocorrências se deram por parte de quem deveria zelar pela disciplina na Universidade, e que cabia às Direções garantir a não ocorrência de atividades subversivas.

À medida em que as informações foram recebidas pela Comissão de Inquérito, os processos foram organizados em ordem numérica. O Processo Nº 1/64, primeiro da lista, leva o nome de “Professor Patrocínio Gallotti”. No Relatório Geral da Comissão de Inquérito da Universidade de Santa Catarina, o único processo cujo nome era o do próprio investigado foi o do Desembargador José do Patrocínio Gallotti, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Santa Catarina.

Depoimento de Armen Mamigonian sobre Gallotti:

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João Soccas
João Soccas

Ingressou na UFSC em 1967 como estudante de engenharia, participando de forma ativa no movimento estudantil. Após publicação do jornal "Universitários a Procura de Universidade", João foi preso, e conforme relato, havia policiais que entravam na ufsc como estudantes, porém sem passar por vestibular, e foi um destes policiais que o prendeu.

Em 1978 passa a exercer o cargo de auxiliar de ensino na UFSC, sofrendo com acúmulo de funções. João foi demitido após um ofício com informações distorcidas chegar até Caspar Stemmer, reitor da Universidade na época.

Rogério Queiroz
Rogério Duarte Queiroz

Nasceu em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, em 1941, foi ativo em movimentos estudantis, sendo presidente da União Catarinense de Estudantes Secundaristas. Ingressou no curso de Direito da UFSC no ano de 1960, e assumiu a presidência do Centro Acadêmico do curso em 1962, foi também presidente da UCE (União Catarinense de Estudantes) no ano de 1963.

Durante o período na UCE, com o objetivo de implementar o Método Paulo Freire para alfabetização de adultos, conseguiu financiamento para o projeto “Kombi da Libertação do Povo”,uma kombi que passava em bairros de Florianópolis levando o método Paulo Freire de alfabetização. Com o golpe no ano de 1964 a kombi, que ficava na sede da UCE foi apreendida e aqueles que se encontravam no local foram presos. Rogério foi preso em dois momentos: em abril e em junho de 1964, e recebeu anistia apenas no ano de 2009. Ele faleceu aos 75 anos em 2016.

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Heitor Bittencourt Filho

Heitor Bittencourt Filho nasceu em Florianópolis em 28 de novembro de 1948. Ingressou na UFSC em 1965, e após trocar de curso entrou para o DCE em 1967 como presidente da entidade. Na época a reitoria não dava atenção às questões levantadas pelo movimento estudantil, e Heitor tornou-se uma grande liderança, e passou por diferentes momentos de perseguição, mesmo após se afastar do movimento estudantil. Em 1968 foi preso em uma manifestação que acontecia em razão da morte de Edson Luís, estudante secundarista. Heitor afastou-se do movimento estudantil após o Ato Institucional n° 5.

Armen Mamigonian
Armen Mamigonian

Nasceu na capital paulista em 1935, oriundo de família armênia. Graduou-se em Geografia e História em 1956, e se especializou em Geografia Humana em 1959, ambos os cursos na Universidade de São Paulo. Fez doutorado em Geografia Industrial em 1962, na Universidade de Estrasburgo na França, e pós-doutorado em 1984, na Université de Paris (Panthéon Sorbonne).

Foi um dos primeiros professores do curso de Geografia da Faculdade Catarinense de Filosofia, aqui chegando em agosto de 1958, compondo o quadro docente dos primeiros tempos da UFSC. No final da década de 1960, transferiu-se para São Paulo para trabalhar na UNESP, na cidade de Presidente Prudente. Lá atuou como professor e pesquisador até o final da década de 1970, sem perder no entanto o vínculo institucional com a UFSC, para a qual retornou no início de 1980 e onde aposentou-se, em 4 de fevereiro de 1987, por tempo de serviço.

Valmir Martins

Nasceu em 22 de outubro de 1943, em Florianópolis, e faleceu em 30 de novembro de 2012. Foi estudante do curso de História da UFSC, desde o seu ingresso na instituição foi ativo no movimento estudantil e chegou a ser preso durante o 30° Congresso da UNE.
Em 1976 passou em 1° lugar em um concurso para professor da UFSC, porém não pode assumir pois era marcado como comunista. No mesmo ano ingressou na instituição como auxiliar de ensino, e durante sua trajetória como professor universitário foi ativo na militância, e também ajudou estudantes na novembrada,, onde participou das mobilizações para que os estudantes presos fossem libertos.

Henrique Stodieck
Henrique Stodieck

Nasceu em Florianópolis em 27 de agosto de 1912 e faleceu na mesma cidade em 28 de agosto de 1973. Em 1931, mudou-se para Minas Gerais, onde estudou por dois anos na Faculdade de Engenharia de Itajubá. Desistiu do curso e rumou à Cidade de São Paulo, onde iniciou os estudos na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Formou-se em Direito em 1937, e retornou a Florianópolis onde passou a lecionar Sociologia no Instituto Estadual de Educação em 1938, no qual também foi Diretor.

Em 1940 Henrique Stodieck foi aprovado em concurso público para ocupar a Cátedra de Direito do Trabalho na antiga Faculdade de Direito de Santa Catarina e, em 1962, foi eleito Diretor pela Congregação desta Faculdade, ficando no cargo até 1968.

Além de Professor, Stodieck foi Juiz do Trabalho, tendo sido Presidente da antiga Junta de Conciliação e Julgamento da Justiça do Trabalho em Florianópolis.

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Assembleia de professores e estudantes da UFSC, em 27/08/1981, no ginásio do Centro de Desportos.
Reunião de Diretório Acadêmico no início dos anos 1970 (No fundo falando o estudante João Soccas).
Primeiro Encontro Catarinense de Estudantes (1º ECE), no início dos anos 1980.
Cena das prisões de estudantes no Congresso clandestino da UNE em outubro de 1968, em Ibiúna (SP). Em destaque a estudante da UFSC Rosemarie Cardoso.
Assembleia na UFSC de reconstrução da União Estadual dos Estudantes, no início dos anos 1980.
Boletim especial da APUFSC de maio de 1983, iniciando a campanha para o voto direto para reitor
Protesto organizado por diversos grupos sociais, especialmente, estudantes, para receber o presidente Figueiredo, contra os gastos com sua visita, a crise financeira e contra a ditadura, em 1979.
Foto de Figueiredo, um dos últimos presidentes militares, quando esteve em Florianópolis para inaugurar uma placa em homenagem ao presidente Floriano Peixoto.
Um gesto do presidente em direção à população, interpretado como insulto, deu origem ao conflito de militares contra manifestantes. O episódio ficou conhecido como Novembrada e, embora tenha contado com ampla participação popular, motivou a perseguição e prisão de sete estudantes da UFSC.
Foto de manifestantes que seguram a placa com a homenagem de Figueiredo a Floriano Peixoto. A placa, que nunca chegou a ser afixada na praça XV de Novembro, faz parte do acervo da Casa da Memória de Florianópolis.
Passeata dos universitários no dia 10 de maio de 1968 no centro de Florianópolis, que, diante do problema da moradia estudantil, denunciava o contrato lesivo assinado pelo reitor Ferreira Lima com a firma de José Daux.
Foto da estudante de medicina Lígia Giovanella.
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Assembleia de professores e estudantes da UFSC, em 27/08/1981, no ginásio do Centro de Desportos.
Reunião de Diretório Acadêmico no início dos anos 1970 (No fundo falando o estudante João Soccas).
Primeiro Encontro Catarinense de Estudantes (1º ECE), no início dos anos 1980.
Cena das prisões de estudantes no Congresso clandestino da UNE em outubro de 1968, em Ibiúna (SP). Em destaque a estudante da UFSC Rosemarie Cardoso.
Assembleia na UFSC de reconstrução da União Estadual dos Estudantes, no início dos anos 1980.
Boletim especial da APUFSC de maio de 1983, iniciando a campanha para o voto direto para reitor
Protesto organizado por diversos grupos sociais, especialmente, estudantes, para receber o presidente Figueiredo, contra os gastos com sua visita, a crise financeira e contra a ditadura, em 1979.
Foto de Figueiredo, um dos últimos presidentes militares, quando esteve em Florianópolis para inaugurar uma placa em homenagem ao presidente Floriano Peixoto.
Um gesto do presidente em direção à população, interpretado como insulto, deu origem ao conflito de militares contra manifestantes. O episódio ficou conhecido como Novembrada e, embora tenha contado com ampla participação popular, motivou a perseguição e prisão de sete estudantes da UFSC.
Foto de manifestantes que seguram a placa com a homenagem de Figueiredo a Floriano Peixoto. A placa, que nunca chegou a ser afixada na praça XV de Novembro, faz parte do acervo da Casa da Memória de Florianópolis.
Passeata dos universitários no dia 10 de maio de 1968 no centro de Florianópolis, que, diante do problema da moradia estudantil, denunciava o contrato lesivo assinado pelo reitor Ferreira Lima com a firma de José Daux.
Foto da estudante de medicina Lígia Giovanella.
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Ficha Técnica

Concepção e Montagem: Renata Padilha, Thainá Castro, Luísa May, Larissa Wentland e Ian Reis.

Assistência técnica: Roberto Willrich e Laura Tuyama

Projeto de Extensão: Exposição virtual sobre Memória e Direitos Humanos – Bolsa Cultura (2019) e PROBOLSA (2020).

Pesquisa, acervo e coordenação: Instituto Memória e Direitos Humanos – (IMDH/UFSC)

Site do IMDH – https://imdh.ufsc.br/

Fonte: Relatório Comissão Memória e Verdade da UFSC – (CMV/UFSC)

Acervo/IMDH – https://www.memoriaedireitoshumanos.ufsc.br