A UFSC e a Ditadura Militar:
fatos e personagens

A UFSC e a Ditadura Militar: fatos e personagens

A exposição virtual “A UFSC e a Ditadura Militar: Fatos e Personagens” foi desenvolvida como um projeto de extensão do Curso de Museologia, teve início em 2019, contemplado com o edital Bolsa Cultura, e em 2020 continuou com o edital PROBOLSA 2020. O site teve seu lançamento oficial em 07 de julho de 2020, e continuou a ser atualizado até dezembro de 2020, porém atualmente o projeto de extensão encontra-se encerrado.

Esta exposição apresenta com base no Relatório da Comissão Memória e Verdade da UFSC, entre os anos de 1961 a 1981, alguns dos acontecimentos, lugares e personagens que protagonizaram momentos de resistência em confronto direto com o Estado e a violência causada por ele no período da ditadura militar em Florianópolis.

Os lugares com maior ocorrência das manifestações e repressões foram a Universidade Federal de Santa Catarina e o centro da cidade, ambos locais com número expressivo de pessoas e diversidade social, econômica e cultural. A narrativa construída nesta exposição visa explorar como estudantes, professores e técnicos-administrativos da UFSC, participaram ativamente de grupos que lutaram por seus direitos e por um espaço democrático, bem como expõe como esses atores sociais sofreram ao longo do período ditatorial por não aceitarem as condições impostas pelo período militar.

Esta exposição faz parte do projeto de extensão “Exposição virtual sobre Memória e Direitos Humanos”, da Coordenadoria Especial de Museologia, vinculado ao Instituto Memória e Direitos Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina (IMDH/UFSC), que visa disponibilizar parte das pesquisas iconográficas, bibliográficas e documentais realizadas pela Comissão Memória e Verdade da UFSC (CMV/UFSC).

A exposição virtual “A UFSC e a Ditadura Militar: Fatos e Personagens” foi desenvolvida como um projeto de extensão do Curso de Museologia, teve início em 2019, contemplado com o edital Bolsa Cultura, e em 2020 continuou com o edital PROBOLSA 2020. O site teve seu lançamento oficial em 07 de julho de 2020, e continuou a ser atualizado até dezembro de 2020, porém atualmente o projeto de extensão encontra-se encerrado.

A exposição virtual “A UFSC e a Ditadura Militar: Fatos e Personagens” foi desenvolvida como um projeto de extensão do Curso de Museologia, teve início em 2019, contemplado com o edital Bolsa Cultura, e em 2020 continuou com o edital PROBOLSA 2020. O site teve seu lançamento oficial em 07 de julho de 2020, e continuou a ser atualizado até dezembro de 2020, porém atualmente o projeto de extensão encontra-se encerrado.

Esta exposição apresenta com base no Relatório da Comissão Memória e Verdade da UFSC, entre os anos de 1961 a 1981, alguns dos acontecimentos, lugares e personagens que protagonizaram momentos de resistência em confronto direto com o Estado e a violência causada por ele no período da ditadura militar em Florianópolis.

Os lugares com maior ocorrência das manifestações e repressões foram a Universidade Federal de Santa Catarina e o centro da cidade, ambos locais com número expressivo de pessoas e diversidade social, econômica e cultural. A narrativa construída nesta exposição visa explorar como estudantes, professores e técnicos-administrativos da UFSC, participaram ativamente de grupos que lutaram por seus direitos e por um espaço democrático, bem como expõe como esses atores sociais sofreram ao longo do período ditatorial por não aceitarem as condições impostas pelo período militar.

Esta exposição faz parte do projeto de extensão “Exposição virtual sobre Memória e Direitos Humanos”, da Coordenadoria Especial de Museologia, vinculado ao Instituto Memória e Direitos Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina (IMDH/UFSC), que visa disponibilizar parte das pesquisas iconográficas, bibliográficas e documentais realizadas pela Comissão Memória e Verdade da UFSC (CMV/UFSC).

Mapa de acontecimentos

1961

1962

1964

1965

1968

1975

1979

1980

1981

Instruções

  • Utilize o botão de rolagem do seu mouse ou a tecla “+” do teclado para aproximar dos locais.
 
  •  Aperte sobre o ícone escolhido no mapa e navegue sobre a barra lateral que contém a informação (a imagem será ampliada se clicar em cima da mesma).

 

  • Clique no ícone ao lado de “Exposição Virtual CMV” para explorar os acontecimentos por ano.

Mapa de acontecimentos

(Selecione os ícones no mapa e explore)

Personagens da História

Gil Bráz de Lima
Gil Bráz de Lima

Nascido em 29 de março de 1947, em Itajaí, Santa Catarina, Gil era filho de José Adil de Lima e Teodora de Lima. Seu pai, José Adil, era membro do Partido Comunista Brasileiro, no qual ingressou em 1946, foi presidente do Sindicato dos Estivadores de Itajaí, participou do Movimento Negro de Itajaí.

Gil Bráz de Lima, ex-estudante de Engenharia Mecânica foi preso em 11 de fevereiro de 1969 dentro da Universidade Federal de Santa Catarina, enquanto distribuía panfletos para turmas de calouros na Faculdade de Direito. Foi torturado e perseguido nos anos seguintes e tornou-se um dos casos analisados com mais atenção, pois recebeu uma pena muito maior que a de seus colegas. Passou os anos seguintes sofrendo sucessivas perdas de emprego, mudando-se de cidade, passando por novas prisões e até um sequestro na saída para o trabalho, no qual ficou desaparecido por mais de seis semanas.

Depoimento de Maria Bernadete de Lima, Viúva de Gil:
(...) aí no começo de 69 ele foi fazer uma panfletagem na Faculdade de Direito, ele e o Roberto Cascaes, que era filho de um juiz aqui de Florianópolis, muito conhecido por sinal. Daí ele e Roberto Cascaes foram fazer essa panfletagem, pedindo algumas melhorias na Faculdade, só que como estava em cima do AI-5 eles foram presos. Teve muitos que estavam juntos também mas fugiram, e só eles dois foram presos. Aí ficaram aqui na delegacia de Biguaçu, uns 15 ou 20 dias sofrendo tortura. (...)

Gil Bráz de Lima foi um dos poucos, ou o único, estudante negro a fazer parte do movimento estudantil a partir da metade da década de 1960.

Depoimento de Maria:

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Derlei Catarina de Luca
Derlei Catarina de Luca

Nasceu em 17 de setembro de 1946, no município de Içara, interior de Santa Catarina, e faleceu em 18 de novembro de 2017. Ingressou no curso de pedagogia da UFSC, foi militante pela Juventude Universitária Católica e posteriormente pela Ação Popular. A Lei n° 4.464 de 09 de novembro de 1964 limitava o movimento estudantil fazendo mudanças nas entidades de representação. É no ano de 1966 que Derlei Catarina juntamente com colegas reorganizam o movimento estudantil e atuam no Centro Acadêmico da Faculdade de Filosofia.

Foi presa em outubro de 1966, após o 30° Congresso da UNE, onde havia militares infiltrados e 723 estudantes foram fichados, assim as fichas foram repassadas, espalhando as informações do movimento estudantil. Meses após mudar-se para São Paulo, foi presa novamente, e foi torturada por dois meses, sua prisão só consta oficialmente a partir do momento em que foi transferida para o DOPS. Foi considerada foragida, com medo precisou deixar seu filho de 3 meses com uma conhecida. Passou por diferentes lugares durante este período: Rio de Janeiro, Florianópolis (entre 1972 e 1973), Chile e Panamá, por fim, em novembro de 1973 vai para Cuba onde consegue restabelecer-se e reencontrar seu filho, e com a Lei da Anistia de 1979 consegue retornar ao Brasil.

Derlei participou Comitê Catarinense Pró-Memória de Mortos e Desaparecidos Políticos do Estado de Santa Catarina a partir de 1980, teve participação no Coletivo Catarinense pela Memória, Verdade e Justiça e também participou da Comissão Estadual Memória e Verdade Paulo Stuart Wright.

Marcos Cardoso Filho
Marcos Cardoso Filho

Nasceu no município de Tubarão - Santa Catarina em 12 de maio de 1950, faleceu em 23 de dezembro de 1983, eletrocutado em um acidente de barco na Lagoa da Conceição, Florianópolis

Ainda como estudante secundarista ingressou na militância, e aos 18 anos entrou para o PCB (Partido Counista Brasileiro). Em 1969 entrou para o curso de engenharia elétrica da UFSC, onde sempre participou ativamente do movimento estudantil. Na primeira metade da década de 70 foi professor do Colégio de Aplicação/UFSC e da Escola Técnica Federal, atual IFSC, e no ano de 1975 foi contratado para lecionar no curso de engenharia elétrica da UFSC.

Marcos Cardoso Filho foi preso em 04 de novembro de 1975 pela Operação Barriga Verde, permanecendo preso até 10 de novembro de 1977. Durante o período na prisão sofreu tortura e teve depoimento forjado, Marcos também escreveu uma carta aberta intitulada “Carta aberta aos que neste país se dignam lutar pelo direitos humanos, pelas liberdades, e por um futuro melhor para o povo brasileiro”, e nesta carta escrita um pouco mais de um mês após sua prisão, conta sobre os primeiros dias de sua prisão e torturas sofridas.

A seguir, link de acesso a sua carta manuscrita

José do Patrocínio Gallotti
José do Patrocínio Gallotti

Ingressou no quadro docente da recém-criada UFSC, em 20 de outubro de 1961. Era considerado um professor "folclórico" e inteligente, conforme depoimento de Davi Ferreira Lima “Esse era doido. Além de tudo era muito inteligente. Subia no ônibus ali na figueira da rua Trompovsky e ia até o fim fazendo discurso comunista. De esquerda, mas de esquerda radical. Aos berros.”

Em 09 de abril de 1964, o Comando Supremo Revolucionário edita o Ato Institucional número 1 (AI-1), marco inicial da institucionalização do golpe militar. O Relatório Geral da Comissão de Inquérito afirma que muitas das ocorrências se deram por parte de quem deveria zelar pela disciplina na Universidade, e que cabia às Direções garantir a não ocorrência de atividades subversivas.

À medida em que as informações foram recebidas pela Comissão de Inquérito, os processos foram organizados em ordem numérica. O Processo Nº 1/64, primeiro da lista, leva o nome de “Professor Patrocínio Gallotti”. No Relatório Geral da Comissão de Inquérito da Universidade de Santa Catarina, o único processo cujo nome era o do próprio investigado foi o do Desembargador José do Patrocínio Gallotti, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Santa Catarina.

A seguir link de entrevista sobre José do Patrocínio Gallotti: Memorial de Direitos Humanos

Depoimento de Armen Mamigonian sobre Gallotti:

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João Soccas
João Soccas

Ingressou na UFSC em 1967 como estudante de engenharia, sendo integrante do Diretório Acadêmico do curso, participando de forma ativa no movimento estudantil, e das lutas por melhorias no Restaurante Universitário, Moradia Estudantil e também esteve presente na luta contra a Reforma Universitária. Após publicar no jornal “Universitários a Procura de Universidade", João foi preso por um policial que havia entrado na UFSC infiltrado.

Em 1978 passou a exercer o cargo de auxiliar de ensino na UFSC, sofrendo acúmulo de funções e condições precárias de trabalho. Como forma de silenciar um professor propenso a denunciar práticas autoritárias e ilegais, João Soccas foi demitido após um ofício com informações distorcidas chegar a Caspar Stemmer, reitor da universidade na época.

Depoimento de João Soccas:

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Rogério Queiroz
Rogério Duarte Queiroz

Nasceu em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, em 1941, foi ativo em movimentos estudantis, sendo presidente da União Catarinense de Estudantes Secundaristas. Ingressou no curso de Direito da UFSC no ano de 1960, e assumiu a presidência do Centro Acadêmico do curso em 1962, foi também presidente da UCE (União Catarinense de Estudantes) no ano de 1963 onde sua atuação foi marcada por movimentos em prol da comunidade. Rogério também foi vereador em Florianópolis nos anos de 1983 a 1988 e exerceu cargo na Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte.

Durante o período na UCE, com o objetivo de implementar o Método Paulo Freire para alfabetização de adultos, conseguiu financiamento para o projeto “Kombi da Libertação do Povo”, uma kombi que passava em bairros de Florianópolis levando o método Paulo Freire de alfabetização. Com o golpe no ano de 1964 a kombi, que ficava na sede da UCE foi apreendida e aqueles que se encontravam no local foram presos. Rogério foi preso em dois momentos: em abril e em junho de 1964, e recebeu anistia apenas no ano de 2009. Ele faleceu aos 75 anos em 2016.

Depoimento de Rogério Queiroz:

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Heitor Bittencourt Filho

Heitor Bittencourt Filho nasceu em Florianópolis em 28 de novembro de 1948. Ingressou na UFSC em 1965 como estudante de medicina, e após trocar de curso para Ciências Econômicas entrou para o DCE em 1968 como presidente da entidade, onde teve forte engajamento político, sendo um importante líder no movimento estudantil na década de 1960.

Na época em que Heitor estava à frente do DCE a reitoria não dava atenção às questões levantadas pelo movimento estudantil, e Heitor tornou-se uma grande liderança, e passou por diferentes momentos de perseguição, mesmo após se afastar do movimento estudantil. Em 1968 foi preso em uma manifestação que acontecia em razão da morte de Edson Luís, estudante secundarista. Heitor afastou-se do movimento estudantil após o Ato Institucional n° 5.

Depoimento de Heitor:

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Armen Mamigonian
Armen Mamigonian

Nasceu na capital paulista em 1935, oriundo de família armênia. Graduou-se em Geografia e História em 1956, e se especializou em Geografia Humana em 1959, ambos os cursos na Universidade de São Paulo. Fez doutorado em Geografia Industrial em 1962, na Universidade de Estrasburgo na França, e pós-doutorado em 1984, na Université de Paris (Panthéon Sorbonne).

Foi um dos primeiros professores do curso de Geografia da Faculdade Catarinense de Filosofia, aqui chegando em agosto de 1958, compondo o quadro docente dos primeiros tempos da UFSC. No final da década de 1960, transferiu-se para São Paulo para trabalhar na UNESP, na cidade de Presidente Prudente. Lá atuou como professor e pesquisador até o final da década de 1970, sem perder no entanto o vínculo institucional com a UFSC, para a qual retornou no início de 1980 e onde aposentou-se, em 4 de fevereiro de 1987, por tempo de serviço.

Amen foi um dos poucos professores que teve participação e influência no movimento estudantil na universidade antes do golpe de 1964, e foi um dos alvos da caça aos subversivos da universidade. Vitor Lima, presidente da Comissão de Inquéritos da UFSC em 18 de junho de 1964 envia um ofício ao comandante do 14º Batalhão de Caçadores, sugerindo cuidadosa investigação ao professor Armen Mamigonian. Por anos Mamigonian foi alvo de investigações que renderam volumosa documentação onde era citado como mentor de estudantes e elemento da cúpula dos comunistas catarinenses.

Valmir Martins

Nasceu em 22 de outubro de 1943, em Florianópolis, e faleceu em 30 de novembro de 2012. Foi estudante do curso de História da UFSC, desde o seu ingresso na instituição foi ativo no movimento estudantil e chegou a ser preso durante o 30° Congresso da UNE.
Nasceu em 22 de outubro de 1943, em Florianópolis, e faleceu em 30 de novembro de 2012. Foi estudante do curso de História da UFSC, desde o seu ingresso na instituição foi ativo no movimento estudantil e chegou a ser preso durante o 30° Congresso da UNE.

Em 1976 passou em 1° lugar em um concurso para professor da UFSC, porém não pode assumir pois era marcado como comunista. No mesmo ano ingressou na instituição como auxiliar de ensino, e durante sua trajetória como professor universitário foi ativo na militância, e também ajudou estudantes na novembrada, onde participou das mobilizações para que os estudantes presos fossem libertos.

Henrique Stodieck
Henrique Stodieck

Nasceu em Florianópolis em 27 de agosto de 1912 e faleceu no mesmo município em 28 de agosto de 1973. Em 1931, mudou-se para Minas Gerais, onde estudou por dois anos na Faculdade de Engenharia de Itajubá. Desistiu do curso e rumou à Cidade de São Paulo, onde iniciou os estudos na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Formou-se em Direito em 1937, e retornou a Florianópolis onde passou a lecionar Sociologia no Instituto Estadual de Educação em 1938, no qual também foi Diretor.

Em 1940 Henrique Stodieck foi aprovado em concurso público para ocupar a Cátedra de Direito do Trabalho na antiga Faculdade de Direito de Santa Catarina e, em 1962, foi eleito Diretor pela Congregação desta Faculdade, ficando no cargo até 1968. Além de Professor, Stodieck foi Juiz do Trabalho, tendo sido Presidente da antiga Junta de Conciliação e Julgamento da Justiça do Trabalho em Florianópolis.

Stodieck tinha seu posicionamento político alinhado aos interesses estudantis e apoiava os interesses do Centro Acadêmico XI de Fevereiro (CAXIF). Durante a década de 1960, no período que antecede o golpe de 1964, e logo após, Henrique Stodieck deixou sua marca mais profunda na Faculdade de Direito. partir de 1962 começou a haver certa tensão política entre Stodieck e Ferreira Lima, o então Reitor da Universidade. Em 1964, nos primeiros dias após o golpe, Henrique Stodieck, diretor da Faculdade de Direito da UFSC, determinou a suspensão das aulas por tempo indeterminado, permanecendo fechada por uma semana em protesto ao Golpe de Estado, sendo a única unidade da universidade a fechar as portas se posicionando contra a situação. Em 02 de maio de 1964 foi instalada na UFSC a Comissão de Inquérito, e Stodieck e Waldemiro Cascaes, os dois últimos diretores da Faculdade de Direito estiveram no centro das atenções, e o processo de inquérito da Faculdade de Direito era rico em detalhes, e informações prestadas por Ferreira Lima.

Adolfo Dias

Ingressou em 1971 na UFSC como estudante de direito, fez parte da gestão do Diretório Central dos Estudantes (DCE) entre 1979 e 1980, a primeira gestão eleita democraticamente, e em 1980 entra para a gestão da UCE. Sempre foi ativo no movimento estudantil, participou da reestruturação do movimento, da reconstrução da União Nacional de Estudantes (UNE) e da União Catarinense de Estudantes (UCE). Participou de diversas manifestações da UFSC, e na época em que presidiu o DCE algumas das tarefas a serem realizadas junto ao movimento estudantil eram a organização de protestos por melhorias nas condições do Restaurante Universitário, luta contra a possível privatização do ensino público universitário, entre outras pautas levantadas.

Participou da organização das manifestações da novembrada enquanto ainda fazia parte da gestão do DCE, sendo preso pela sua participação. O acontecimento da novembrada deu destaque nacional ao movimento estudantil catarinense na luta contra Figueiredo.

Adolfo Dias faleceu em 29 de janeiro de 1999, e em seu funeral Geraldo Barbosa discursou: “Depois da ‘Novembrada’, mesmo na condição de réu, Adolfo liderou nacionalmente com bravura a luta pela revogação da Lei de Segurança Nacional, enfrentando frontalmente o regime militar. Era um líder nato e marcou nossa geração, que se formou na luta política sob e contra a ditadura, como um símbolo vivo da juventude insubmissa e consciente”.

Osvaldo de Oliveira Maciel

Nascido em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul em 1940, se formou em Farmácia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), participou do Diretório Acadêmico e da criação da Federação dos Estudantes da Federal do Rio Grande do Sul. Teve participação na campanha O Petróleo é Nosso e na “residência brizolista”. Em 1966 começou a lecionar na UFSC na Faculdade de Farmácia, e atuou na luta sindical municipal e nacional tendo grande atuação no movimento docente.

Em 1978, enquanto a Associação de Professores da Universidade Federal de Santa Catarina (APUFSC) passava por um momento de esvaziamento, Osvaldo assumiu a presidência da entidade com a intenção de transformar em uma associação de luta. Em 1980 passa a dirigir a Associação Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES), sendo o primeiro presidente da entidade. Além da atuação como professor, presidente da APUFSC e ANDES, também teve importante atuação na área da saúde que ainda durante a ditadura ajudou a construir os princípios da política pública de criação do Sistema Único de Saúde.

Raul Guenther

Nascido em Joinville, Santa Catarina em 27 de maio de 1953. Foi professor de Engenharia Mecânica da UFSC, e entrou para o movimento docente com a participação no Conselho de Representantes da APUFSC, e em 1980 assumiu a presidência da entidade, posteriormente assumiu a secretaria da ANDES de 1984 a 1986. Atuou no movimento docente em uma época em que não havia segurança para a classe, lutou pela estabilidade para que professores não fossem perseguidos dentro da universidade.

Durante a ditadura havia um projeto de privatização da universidade brasileira, que consistia em transformar em fundações para flexibilizar a administração e assim descomprometer com a manutenção da universidade pública e gratuita. O projeto dividiu as opiniões de professores que buscavam melhores salários, mas o projeto foi derrubado e a APUFSC que participou ativamente do processo ganhou relevância nacional.

Em 1986 concorreu a governador do estado de Santa Catarina pelo PT, e em 1988 ingressou no doutorado, e assim passa a ter uma atuação mais esparsa na militância.

As mulheres na UFSC no período da ditadura civil-militar

Durante a ditadura militar, as mulheres participaram de diferentes formas no movimento estudantil. Entre os anos de 1967 e 1968 as estudantes da UFSC buscavam a reestruturação do movimento estudantil, nesse período algumas mulheres atuaram na luta desde o início, quando os órgãos de representação ainda estavam fechados.

O ingresso na universidade, por vezes, era onde ocorria o primeiro contato com as notícias sobre a ditadura, as prisões e tortura, era também o momento em que estudantes entravam para grupos políticos onde começavam a se organizar.

Mesmo com o AI - 5, e intensa repressão, as mulheres continuaram firmes no movimento estudantil, e também estiveram presentes na luta pela anistia durante a Operação Barriga Verde.

Na imagem: Estudante de Direito Rosângela Koerich de Souza (em pé).

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Personagens da História

Gil Bráz de Lima
Gil Bráz de Lima

Nascido em 29 de março de 1947, em Itajaí, Santa Catarina, Gil era filho de José Adil de Lima e Teodora de Lima. Seu pai, José Adil, era membro do Partido Comunista Brasileiro, no qual ingressou em 1946, foi presidente do Sindicato dos Estivadores de Itajaí, participou do Movimento Negro de Itajaí.

Gil Bráz de Lima, ex-estudante de Engenharia Mecânica foi preso em 11 de fevereiro de 1969 dentro da Universidade Federal de Santa Catarina, enquanto distribuía panfletos para turmas de calouros na Faculdade de Direito. Foi torturado e perseguido nos anos seguintes e tornou-se um dos casos analisados com mais atenção, pois recebeu uma pena muito maior que a de seus colegas. Passou os anos seguintes sofrendo sucessivas perdas de emprego, mudando-se de cidade, passando por novas prisões e até um sequestro na saída para o trabalho, no qual ficou desaparecido por mais de seis semanas.

Depoimento de Maria Bernadete de Lima, Viúva de Gil:
(...) aí no começo de 69 ele foi fazer uma panfletagem na Faculdade de Direito, ele e o Roberto Cascaes, que era filho de um juiz aqui de Florianópolis, muito conhecido por sinal. Daí ele e Roberto Cascaes foram fazer essa panfletagem, pedindo algumas melhorias na Faculdade, só que como estava em cima do AI-5 eles foram presos. Teve muitos que estavam juntos também mas fugiram, e só eles dois foram presos. Aí ficaram aqui na delegacia de Biguaçu, uns 15 ou 20 dias sofrendo tortura. (...)

Gil Bráz de Lima foi um dos poucos, ou o único, estudante negro a fazer parte do movimento estudantil a partir da metade da década de 1960.

Depoimento de Maria:

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Derlei Catarina de Luca
Derlei Catarina de Luca

Nasceu em 17 de setembro de 1946, no município de Içara, interior de Santa Catarina, e faleceu em 18 de novembro de 2017. Ingressou no curso de pedagogia da UFSC, foi militante pela Juventude Universitária Católica e posteriormente pela Ação Popular. A Lei n° 4.464 de 09 de novembro de 1964 limitava o movimento estudantil fazendo mudanças nas entidades de representação. É no ano de 1966 que Derlei Catarina juntamente com colegas reorganizam o movimento estudantil e atuam no Centro Acadêmico da Faculdade de Filosofia.

Foi presa em outubro de 1966, após o 30° Congresso da UNE, onde havia militares infiltrados e 723 estudantes foram fichados, assim as fichas foram repassadas, espalhando as informações do movimento estudantil. Meses após mudar-se para São Paulo, foi presa novamente, e foi torturada por dois meses, sua prisão só consta oficialmente a partir do momento em que foi transferida para o DOPS. Foi considerada foragida, com medo precisou deixar seu filho de 3 meses com uma conhecida. Passou por diferentes lugares durante este período: Rio de Janeiro, Florianópolis (entre 1972 e 1973), Chile e Panamá, por fim, em novembro de 1973 vai para Cuba onde consegue restabelecer-se e reencontrar seu filho, e com a Lei da Anistia de 1979 consegue retornar ao Brasil.

Derlei participou Comitê Catarinense Pró-Memória de Mortos e Desaparecidos Políticos do Estado de Santa Catarina a partir de 1980, teve participação no Coletivo Catarinense pela Memória, Verdade e Justiça e também participou da Comissão Estadual Memória e Verdade Paulo Stuart Wright.

Marcos Cardoso Filho
Marcos Cardoso Filho

Nasceu no município de Tubarão - Santa Catarina em 12 de maio de 1950, faleceu em 23 de dezembro de 1983, eletrocutado em um acidente de barco na Lagoa da Conceição, Florianópolis

inda como estudante secundarista ingressou na militância, e aos 18 anos entrou para o PCB (Partido Counista Brasileiro). Em 1969 entrou para o curso de engenharia elétrica da UFSC, onde sempre participou ativamente do movimento estudantil. Na primeira metade da década de 70 foi professor do Colégio de Aplicação/UFSC e da Escola Técnica Federal, atual IFSC, e no ano de 1975 foi contratado para lecionar no curso de engenharia elétrica da UFSC.

Marcos Cardoso Filho foi preso em 04 de novembro de 1975 pela Operação Barriga Verde, permanecendo preso até 10 de novembro de 1977. Durante o período na prisão sofreu tortura e teve depoimento forjado, Marcos também escreveu uma carta aberta intitulada “Carta aberta aos que neste país se dignam lutar pelo direitos humanos, pelas liberdades, e por um futuro melhor para o povo brasileiro”, e nesta carta escrita um pouco mais de um mês após sua prisão, conta sobre os primeiros dias de sua prisão e torturas sofridas.

A seguir, link de acesso a sua carta manuscrita

José do Patrocínio Gallotti
José do Patrocínio Gallotti

Ingressou no quadro docente da recém-criada UFSC, em 20 de outubro de 1961. Era considerado um professor "folclórico" e inteligente, conforme depoimento de Davi Ferreira Lima “Esse era doido. Além de tudo era muito inteligente. Subia no ônibus ali na figueira da rua Trompovsky e ia até o fim fazendo discurso comunista. De esquerda, mas de esquerda radical. Aos berros.”

Em 09 de abril de 1964, o Comando Supremo Revolucionário edita o Ato Institucional número 1 (AI-1), marco inicial da institucionalização do golpe militar. O Relatório Geral da Comissão de Inquérito afirma que muitas das ocorrências se deram por parte de quem deveria zelar pela disciplina na Universidade, e que cabia às Direções garantir a não ocorrência de atividades subversivas.

À medida em que as informações foram recebidas pela Comissão de Inquérito, os processos foram organizados em ordem numérica. O Processo Nº 1/64, primeiro da lista, leva o nome de “Professor Patrocínio Gallotti”. No Relatório Geral da Comissão de Inquérito da Universidade de Santa Catarina, o único processo cujo nome era o do próprio investigado foi o do Desembargador José do Patrocínio Gallotti, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Santa Catarina.

A seguir link de entrevista sobre José do Patrocínio Gallotti: Memorial de Direitos Humanos

Depoimento de Armen Mamigonian sobre Gallotti:

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À medida em que as informações foram recebidas pela Comissão de Inquérito, os processos foram organizados em ordem numérica. O Processo Nº 1/64, primeiro da lista, leva o nome de “Professor Patrocínio Gallotti”. No Relatório Geral da Comissão de Inquérito da Universidade de Santa Catarina, o único processo cujo nome era o do próprio investigado foi o do Desembargador José do Patrocínio Gallotti, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Santa Catarina.

João Soccas
João Tadeu Soccas

Ingressou na UFSC em 1967 como estudante de engenharia, sendo integrante do Diretório Acadêmico do curso, participando de forma ativa no movimento estudantil, e das lutas por melhorias no Restaurante Universitário, Moradia Estudantil e também esteve presente na luta contra a Reforma Universitária. Após publicar no jornal “Universitários a Procura de Universidade", João foi preso por um policial que havia entrado na UFSC infiltrado.

Em 1978 passou a exercer o cargo de auxiliar de ensino na UFSC, sofrendo acúmulo de funções e condições precárias de trabalho. Como forma de silenciar um professor propenso a denunciar práticas autoritárias e ilegais, João Soccas foi demitido após um ofício com informações distorcidas chegar a Caspar Stemmer, reitor da universidade na época.

Depoimento de João Soccas:

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Rogério Queiroz
Rogério Duarte Queiroz

Nasceu em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, em 1941, foi ativo em movimentos estudantis, sendo presidente da União Catarinense de Estudantes Secundaristas. Ingressou no curso de Direito da UFSC no ano de 1960, e assumiu a presidência do Centro Acadêmico do curso em 1962, foi também presidente da UCE (União Catarinense de Estudantes) no ano de 1963 onde sua atuação foi marcada por movimentos em prol da comunidade. Rogério também foi vereador em Florianópolis nos anos de 1983 a 1988 e exerceu cargo na Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte.

Durante o período na UCE, com o objetivo de implementar o Método Paulo Freire para alfabetização de adultos, conseguiu financiamento para o projeto “Kombi da Libertação do Povo”, uma kombi que passava em bairros de Florianópolis levando o método Paulo Freire de alfabetização. Com o golpe no ano de 1964 a kombi, que ficava na sede da UCE foi apreendida e aqueles que se encontravam no local foram presos. Rogério foi preso em dois momentos: em abril e em junho de 1964, e recebeu anistia apenas no ano de 2009. Ele faleceu aos 75 anos em 2016.

Depoimento de Rogério Queiroz:

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Heitor Bittencourt Filho

Heitor Bittencourt Filho nasceu em Florianópolis em 28 de novembro de 1948. Ingressou na UFSC em 1965 como estudante de medicina, e após trocar de curso para Ciências Econômicas entrou para o DCE em 1968 como presidente da entidade, onde teve forte engajamento político, sendo um importante líder no movimento estudantil na década de 1960.

Na época em que Heitor estava à frente do DCE a reitoria não dava atenção às questões levantadas pelo movimento estudantil, e Heitor tornou-se uma grande liderança, e passou por diferentes momentos de perseguição, mesmo após se afastar do movimento estudantil. Em 1968 foi preso em uma manifestação que acontecia em razão da morte de Edson Luís, estudante secundarista. Heitor afastou-se do movimento estudantil após o Ato Institucional n° 5.

Depoimento de Heitor:

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Armen Mamigonian
Armen Mamigonian

Nasceu na capital paulista em 1935, oriundo de família armênia. Graduou-se em Geografia e História em 1956, e se especializou em Geografia Humana em 1959, ambos os cursos na Universidade de São Paulo. Fez doutorado em Geografia Industrial em 1962, na Universidade de Estrasburgo na França, e pós-doutorado em 1984, na Université de Paris (Panthéon Sorbonne).

Foi um dos primeiros professores do curso de Geografia da Faculdade Catarinense de Filosofia, aqui chegando em agosto de 1958, compondo o quadro docente dos primeiros tempos da UFSC. No final da década de 1960, transferiu-se para São Paulo para trabalhar na UNESP, na cidade de Presidente Prudente. Lá atuou como professor e pesquisador até o final da década de 1970, sem perder no entanto o vínculo institucional com a UFSC, para a qual retornou no início de 1980 e onde aposentou-se, em 4 de fevereiro de 1987, por tempo de serviço.

Amen foi um dos poucos professores que teve participação e influência no movimento estudantil na universidade antes do golpe de 1964, e foi um dos alvos da caça aos subversivos da universidade. Vitor Lima, presidente da Comissão de Inquéritos da UFSC em 18 de junho de 1964 envia um ofício ao comandante do 14º Batalhão de Caçadores, sugerindo cuidadosa investigação ao professor Armen Mamigonian. Por anos Mamigonian foi alvo de investigações que renderam volumosa documentação onde era citado como mentor de estudantes e elemento da cúpula dos comunistas catarinenses.

Valmir Martins

Nasceu em 22 de outubro de 1943, em Florianópolis, e faleceu em 30 de novembro de 2012. Foi estudante do curso de História da UFSC, desde o seu ingresso na instituição foi ativo no movimento estudantil e chegou a ser preso durante o 30° Congresso da UNE.

Em 1976 passou em 1° lugar em um concurso para professor da UFSC, porém não pode assumir pois era marcado como comunista. No mesmo ano ingressou na instituição como auxiliar de ensino, e durante sua trajetória como professor universitário foi ativo na militância, e também ajudou estudantes na novembrada, onde participou das mobilizações para que os estudantes presos fossem libertos.

Henrique Stodieck
Henrique Stodieck

Nasceu em Florianópolis em 27 de agosto de 1912 e faleceu no mesmo município em 28 de agosto de 1973. Em 1931, mudou-se para Minas Gerais, onde estudou por dois anos na Faculdade de Engenharia de Itajubá. Desistiu do curso e rumou à Cidade de São Paulo, onde iniciou os estudos na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Formou-se em Direito em 1937, e retornou a Florianópolis onde passou a lecionar Sociologia no Instituto Estadual de Educação em 1938, no qual também foi Diretor.

Em 1940 Henrique Stodieck foi aprovado em concurso público para ocupar a Cátedra de Direito do Trabalho na antiga Faculdade de Direito de Santa Catarina e, em 1962, foi eleito Diretor pela Congregação desta Faculdade, ficando no cargo até 1968. Além de Professor, Stodieck foi Juiz do Trabalho, tendo sido Presidente da antiga Junta de Conciliação e Julgamento da Justiça do Trabalho em Florianópolis.

Stodieck tinha seu posicionamento político alinhado aos interesses estudantis e apoiava os interesses do Centro Acadêmico XI de Fevereiro (CAXIF). Durante a década de 1960, no período que antecede o golpe de 1964, e logo após, Henrique Stodieck deixou sua marca mais profunda na Faculdade de Direito. partir de 1962 começou a haver certa tensão política entre Stodieck e Ferreira Lima, o então Reitor da Universidade. Em 1964, nos primeiros dias após o golpe, Henrique Stodieck, diretor da Faculdade de Direito da UFSC, determinou a suspensão das aulas por tempo indeterminado, permanecendo fechada por uma semana em protesto ao Golpe de Estado, sendo a única unidade da universidade a fechar as portas se posicionando contra a situação. Em 02 de maio de 1964 foi instalada na UFSC a Comissão de Inquérito, e Stodieck e Waldemiro Cascaes, os dois últimos diretores da Faculdade de Direito estiveram no centro das atenções, e o processo de inquérito da Faculdade de Direito era rico em detalhes, e informações prestadas por Ferreira Lima.

Adolfo Dias

Ingressou em 1971 na UFSC como estudante de direito, fez parte da gestão do Diretório Central dos Estudantes (DCE) entre 1979 e 1980, a primeira gestão eleita democraticamente, e em 1980 entra para a gestão da UCE. Sempre foi ativo no movimento estudantil, participou da reestruturação do movimento, da reconstrução da União Nacional de Estudantes (UNE) e da União Catarinense de Estudantes (UCE). Participou de diversas manifestações da UFSC, e na época em que presidiu o DCE algumas das tarefas a serem realizadas junto ao movimento estudantil eram a organização de protestos por melhorias nas condições do Restaurante Universitário, luta contra a possível privatização do ensino público universitário, entre outras pautas levantadas.

Participou da organização das manifestações da novembrada enquanto ainda fazia parte da gestão do DCE, sendo preso pela sua participação. O acontecimento da novembrada deu destaque nacional ao movimento estudantil catarinense na luta contra Figueiredo.
Adolfo passou a compor o PMDB e a diretoria da UCE no ano de 1980, o trabalho da gestão era focado na reestruturação de Centros Acadêmicos e Diretórios Centrais de Estudantes de universidades de Santa Catarina.

Adolfo Dias faleceu em 29 de janeiro de 1999, e em seu funeral Geraldo Barbosa discursou: “Depois da ‘Novembrada’, mesmo na condição de réu, Adolfo liderou nacionalmente com bravura a luta pela revogação da Lei de Segurança Nacional, enfrentando frontalmente o regime militar. Era um líder nato e marcou nossa geração, que se formou na luta política sob e contra a ditadura, como um símbolo vivo da juventude insubmissa e consciente”.

Osvaldo de Oliveira Maciel

Nascido em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul em 1940, se formou em Farmácia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), participou do Diretório Acadêmico e da criação da Federação dos Estudantes da Federal do Rio Grande do Sul. Teve participação na campanha O Petróleo é Nosso e na “residência brizolista”. Em 1966 começou a lecionar na UFSC na Faculdade de Farmácia, e atuou na luta sindical municipal e nacional tendo grande atuação no movimento docente.

Em 1978, enquanto a Associação de Professores da Universidade Federal de Santa Catarina (APUFSC) passava por um momento de esvaziamento, Osvaldo assumiu a presidência da entidade com a intenção de transformar em uma associação de luta. Em 1980 passa a dirigir a Associação Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES), sendo o primeiro presidente da entidade. Além da atuação como professor, presidente da APUFSC e ANDES, também teve importante atuação na área da saúde que ainda durante a ditadura ajudou a construir os princípios da política pública de criação do Sistema Único de Saúde.

Raul Guenther

Nascido em Joinville, Santa Catarina em 27 de maio de 1953. Foi professor de Engenharia Mecânica da UFSC, e entrou para o movimento docente com a participação no Conselho de Representantes da APUFSC, e em 1980 assumiu a presidência da entidade, posteriormente assumiu a secretaria da ANDES de 1984 a 1986. Atuou no movimento docente em uma época em que não havia segurança para a classe, lutou pela estabilidade para que professores não fossem perseguidos dentro da universidade.

Durante a ditadura havia um projeto de privatização da universidade brasileira, que consistia em transformar em fundações para flexibilizar a administração e assim descomprometer com a manutenção da universidade pública e gratuita. O projeto dividiu as opiniões de professores que buscavam melhores salários, mas o projeto foi derrubado e a APUFSC que participou ativamente do processo ganhou relevância nacional.

Em 1986 concorreu a governador do estado de Santa Catarina pelo PT, e em 1988 ingressou no doutorado, e assim passa a ter uma atuação mais esparsa na militância.

As mulheres na UFSC no período da ditadura civil-militar

Durante a ditadura militar, as mulheres participaram de diferentes formas no movimento estudantil. Entre os anos de 1967 e 1968 as estudantes da UFSC buscavam a reestruturação do movimento estudantil, nesse período algumas mulheres atuaram na luta desde o início, quando os órgãos de representação ainda estavam fechados.

O ingresso na universidade, por vezes, era onde ocorria o primeiro contato com as notícias sobre a ditadura, as prisões e tortura, era também o momento em que estudantes entravam para grupos políticos onde começavam a se organizar.

Mesmo com o AI - 5, e intensa repressão, as mulheres continuaram firmes no movimento estudantil, e também estiveram presentes na luta pela anistia durante a Operação Barriga Verde.

Na imagem: Estudante de Direito Rosângela Koerich de Souza (em pé).

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Assembleia de professores e estudantes da UFSC, em 27/08/1981, no ginásio do Centro de Desportos.
Reunião de Diretório Acadêmico no início dos anos 1970 (No fundo falando o estudante João Soccas).
Primeiro Encontro Catarinense de Estudantes (1º ECE), no início dos anos 1980.
Cena das prisões de estudantes no Congresso clandestino da UNE em outubro de 1968, em Ibiúna (SP). Em destaque a estudante da UFSC Rosemarie Cardoso.
Assembleia na UFSC de reconstrução da União Estadual dos Estudantes, no início dos anos 1980.
Boletim especial da APUFSC de maio de 1983, iniciando a campanha para o voto direto para reitor
Protesto organizado por diversos grupos sociais, especialmente, estudantes, para receber o presidente Figueiredo, contra os gastos com sua visita, a crise financeira e contra a ditadura, em 1979.
Foto de Figueiredo, um dos últimos presidentes militares, quando esteve em Florianópolis para inaugurar uma placa em homenagem ao presidente Floriano Peixoto.
Um gesto do presidente em direção à população, interpretado como insulto, deu origem ao conflito de militares contra manifestantes. O episódio ficou conhecido como Novembrada e, embora tenha contado com ampla participação popular, motivou a perseguição e prisão de sete estudantes da UFSC.
Foto de manifestantes que seguram a placa com a homenagem de Figueiredo a Floriano Peixoto. A placa, que nunca chegou a ser afixada na praça XV de Novembro, faz parte do acervo da Casa da Memória de Florianópolis.
Passeata dos universitários no dia 10 de maio de 1968 no centro de Florianópolis, que, diante do problema da moradia estudantil, denunciava o contrato lesivo assinado pelo reitor Ferreira Lima com a firma de José Daux.
Foto da estudante de medicina Lígia Giovanella.
Comunicação da Estudante de Farmácia, Margaret Grando, no 1º ECE, 1979

Comunicação da Estudante de Farmácia, Margaret Grando, no 1º ECE, 1979

Foto das estudantes Thais e Marize Lippel.

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Assembleia de professores e estudantes da UFSC, em 27/08/1981, no ginásio do Centro de Desportos.
Reunião de Diretório Acadêmico no início dos anos 1970 (No fundo falando o estudante João Soccas).
Primeiro Encontro Catarinense de Estudantes (1º ECE), no início dos anos 1980.
Cena das prisões de estudantes no Congresso clandestino da UNE em outubro de 1968, em Ibiúna (SP). Em destaque a estudante da UFSC Rosemarie Cardoso.
Assembleia na UFSC de reconstrução da União Estadual dos Estudantes, no início dos anos 1980.
Boletim especial da APUFSC de maio de 1983, iniciando a campanha para o voto direto para reitor
Protesto organizado por diversos grupos sociais, especialmente, estudantes, para receber o presidente Figueiredo, contra os gastos com sua visita, a crise financeira e contra a ditadura, em 1979.
Foto de Figueiredo, um dos últimos presidentes militares, quando esteve em Florianópolis para inaugurar uma placa em homenagem ao presidente Floriano Peixoto.
Um gesto do presidente em direção à população, interpretado como insulto, deu origem ao conflito de militares contra manifestantes. O episódio ficou conhecido como Novembrada e, embora tenha contado com ampla participação popular, motivou a perseguição e prisão de sete estudantes da UFSC.
Foto de manifestantes que seguram a placa com a homenagem de Figueiredo a Floriano Peixoto. A placa, que nunca chegou a ser afixada na praça XV de Novembro, faz parte do acervo da Casa da Memória de Florianópolis.
Passeata dos universitários no dia 10 de maio de 1968 no centro de Florianópolis, que, diante do problema da moradia estudantil, denunciava o contrato lesivo assinado pelo reitor Ferreira Lima com a firma de José Daux.
Foto da estudante de medicina Lígia Giovanella.
Comunicação da Estudante de Farmácia, Margaret Grando, no 1º ECE, 1979

Comunicação da Estudante de Farmácia, Margaret Grando, no 1º ECE, 1979

Foto das estudantes Thais e Marize Lippel.

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Ficha Técnica

Concepção e Montagem: Renata Padilha, Thainá Castro, Luísa May, Larissa Wentland e Ian Reis.

Assistência técnica: Roberto Willrich e Laura Tuyama

Projeto de Extensão: Exposição virtual sobre Memória e Direitos Humanos – Bolsa Cultura (2019) e PROBOLSA (2020).

Pesquisa, acervo e coordenação: Instituto Memória e Direitos Humanos – (IMDH/UFSC)

Site do IMDH – https://imdh.ufsc.br/

Fonte: Relatório Comissão Memória e Verdade da UFSC – (CMV/UFSC)

Acervo/IMDH – https://www.memoriaedireitoshumanos.ufsc.br